Banco Montepio com lucros de 86 milhões a recuarem 10%

2025-11-03

O Banco Montepio viu os resultados e a rentabilidade cair nos primeiros nove meses do ano em comparação com o período homólogo do ano anterior.
 
O Banco Montepio registou um resultado líquido consolidado de 86,4 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2025, o que traduz uma queda de 10,1% face ao período homologo do ano anterior.
 
A rendibilidade bruta do capital próprio fixou-em  8,5%. A rentabilidade do Resultado líquido face aos Capitais próprios médios é de apenas 6,8%.
 
A margem financeira dos primeiros nove meses de 2025 totalizou 249,3 milhões que compara com os 296 milhões rno período homólogo de 2024, ou seja caiu 15,8%, em consequência da normalização das taxas de juro no crédito a clientes e do aumento dos custos de financiamento, que “foram parcialmente compensados pelo maior rendimento da carteira de títulos e pela gestão ativa de liquidez”.
 
As comissões líquidas totalizaram 98,3 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2025, subindo 2,9% num ano. “Esta evolução foi determinada essencialmente pelo aumento da atividade, refletindo o dinamismo comercial e a expansão do negócio, uma vez que não se registaram aumentos materiais nas comissões praticadas”, explica o banco.
 
Os resultados de operações financeiras registados nos primeiros nove meses de 2025 foram negativos em 10,3 milhões e comparam com um valor negativo de 3,5 milhões contabilizado no período homólogo de 2024.
 
Os “Outros resultados” nos primeiros nove meses de 2025 registaram uma evolução favorável de 14,1 milhões em relação ao período homólogo de 2024, fixando-se em -2,2 milhões de euros.
 
“Esta variação positiva refletiu, essencialmente, o aumento dos ganhos com a alienação de ativos e o deferimento da devolução do Adicional de solidariedade do setor bancário”, explica a instituição financeira.
 
Os custos operacionais totalizaram 215,4 milhões nos primeiros nove meses de 2025, comparando com 202,4 milhões apurados no período homólogo de 2024, refletindo o aumento dos custos com pessoal.
 
Os custos com pessoal atingiram 120,2 milhões refletindo um aumento de 3,0% face aos 116,7 milhões contabilizados no período homólogo de 2024, essencialmente associado à atualização de remunerações e a ajustamentos decorrentes da política interna de valorização e retenção de talento.
 
O rácio de eficiência (cost-to-income) piorou 9,8 pontos percentuais para 64,1%.
 
O banco liderado por Pedro Leitão revelou que o valor líquido do agregado de Imparidades e Provisões foi de 12,7 milhões nos primeiros nove meses de 2025, evidenciando uma menor dotação em -9,2 milhões face ao valor observado no período homólogo de 2024.
 
A imparidadede crédito nos primeiros nove meses de 2025 totalizou um valor líquido de 5,5 milhões de euros por comparação à dotação de 11,2 milhões apurada no período homólogo de 2024, “evidenciando a melhoria observada na qualidade da carteira de crédito, que se traduziu na manutenção do custo do risco de crédito de 0,1% nos primeiros nove meses de 2025, em linha com a registada no final de setembro de 2024”.
 
O agregado da Imparidade de outros ativos financeiros, de outros ativos e das Provisões líquidas de reposições e anulações totalizou 7,2 milhões nos primeiros nove meses de 2025, face aos 10,7 milhões contabilizados no período homólogo de 2024, consubstanciando a evolução das imparidades para imóveis de negociação e para outros ativos e devedores, bem como a dotação de outras provisões.
 
No Balanço o ativo total aumentou 5,1% para 19.352 milhões em 30 de setembro de 2025, traduzindo, essencialmente, a evolução verificada nas rubricas de Crédito a Clientes (+573 milhões de euros num ano); de “ativos financeiros ao justo valor através de outro rendimento integral” (+153 milhões); de “outros ativos financeiros ao custo amortizado” (+120 milhões) e de “Caixa e disponibilidades em bancos centrais” (+72 milhões).
 
O Crédito a Clientes (bruto) totalizou 12.726 milhões de euros em 30 de setembro, subindo 6,3% num ano.
 
A subida do crédito performing ascende a 564 milhões (+4,7%), mantendo-se o crédito non-performing em linha com o registado no final do ano.
 
O Banco Montepio explica que “face ao final do período homólogo de 2024, o crédito a Clientes (bruto) aumentou 757 milhões (+6,3%), suportado na subida do crédito performing em 811 milhões de euros (+7,0%), não obstante a redução do crédito non-performing em 55 milhões (-17,3%)”.
 
O banco destaca a redução das exposições não produtivas (NPE) em 55 milhões (-17,3% num ano), colocando o rácio NPE (crédito malparado) em 2,1%, face aos 2,6% registados em 30 de setembro de 2024.
 
O rácio NPE, líquido de imparidades totais para risco de crédito, de 0,4%, comparando com os 0,7% calculados no final de setembro do ano passado.
 
A cobertura dos créditos NPE por imparidades específicas está nos 46,5% (o que compara favoravelmente com a média de 41,7% para os Estados-membros da UE no final de junho de 2025, conforme os últimos dados disponíveis divulgados pela EBA).
 
A cobertura dos NPE por imparidades totais para risco de crédito ascendeu a 79,9% (72,8% no final de setembro de 2024) e a 113,4% (114,1% no final de setembro de 2024) se considerados os colaterais e as garantias financeiras associados.
 
O Banco Montepio destaca a redução de 32% da exposição ao risco imobiliário. São menos 67 milhões para um total de 145 milhões de euros, representando apenas 0,7% do ativo líquido (1,1% no final de setembro de 2024) e 9,2% dos fundos próprios (14,1% em 30 de setembro de 2024).
 
Do outro lado do Balanço, os Depósitos de Clientes atingiram os 15.725 milhões no final de setembro de 2025, traduzindo uma subida de 766 milhões (+5,1%) face ao valor contabilizado no final de 2024. “Este desempenho foi materializado na evolução favorável dos depósitos do segmento Empresas em 459 milhões de euros (+10,3%) e de Clientes Particulares em 307 milhões (+2,9%). Face ao período homólogo, os Depósitos de Clientes aumentaram 1.167 milhões (+8,0%), suportados na variação positiva dos depósitos dos Clientes Empresa em 647 milhões (+15,2%) e dos Clientes Particulares em 519 milhões de euros (+5,0%).
 
Os Recursos totais de Clientes, que para além dos depósitos inclui recursos fora do balanço, como por exemplo dinheiro dos clientes aplicados em fundos de investimento, ascenderam a 17.541 milhões de euros representando um aumento de 8% face a setembro de 2024.
 
Em termo de capital e liquidez, o banco da Associação Mutualista Montepio Geral reportou um Rácio Common Equity Tier 1 (CET1) de 16,3%. O rácio de capital total fixou-se em 19,4% (+0,2 p.p. desde o inicio do ano).
 
O Rácio MREL, em percentagem do total dos RWA (ativos ponderados pelo risco) é de 26,9%.
 
O banco detalha que os ativos ponderados pelo risco (RWA) aumentaram 128 milhões nos primeiros nove meses devido, essencialmente, ao crescimento da carteira de crédito e à diversificação da carteira de títulos. A densidade dos RWA (medida pelo rácio entre os RWA e o Ativo líquido), fixou-se em 41,9% no final de setembro de 2025 (o que compara com 43,3% no final do ano anterior).
 
Isto revela “a eficiência da gestão na tomada de decisões de investimento e na concessão de crédito”, sublinha o banco.
 
Os Fundos Próprios aumentaram 44 milhões nos primeiros nove meses de 2025, fixando-se nos 1.576 milhões de euros “traduzindo, essencialmente, a evolução positiva do resultado líquido acumulado do período deduzido da potencial distribuição de dividendos estimada”.
 
Na liquidez o rácio de cobertura (LCR) é de 191,8%; o Rácio de Financiamento Estável (NSFR) é de 142,0%; e o Buffer de liquidez ascendeu a 5,9 mil milhões (+5,4% num ano), refletindo o reforço da posição de liquidez do banco.

 "O Jornal Económico"
Maria Teixeira Alves
3 Novembro 2025, 09h55
 

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